noite/manhã incomum…
Talvez tenha sido um lapso do universo, mas minha última noite e minha manhã foram, realmente, fora do comum.
Saindo completamente do meu normal notivago, de ir para cama altas horas da madrugada, rolar na cama, pensar em teorias conspiratórias que o universo impõe em minha vida, e depois de algumas horas, finalmente, cair em um sono profundo, que me leva sem eu nem mesmo perceber, ontem, fui para o quarto onze horas deitei na cama e apaguei.
Talvez meu corpo estava com um cansaço fora do normal, ou a cabeça cheia de idéias, propostas, sonhos, vontades e desejos, que meu cérebro não assimilou tanta informação e simplesmente desligou, sem aviso prévio.
Enfim, acordei as sete e fui fazer minha caminhada matinal, normalmente fico conversando com a minha prima e não reparo muito nas pessoas á minha volta, mas hoje, desliguei do mundo, enquanto minha prima falava sem parar, questionava o mundo e todas as suas questões, eu desliguei, reparei no meu redor, no que eu não havia reparado, até porque eu ando no mesmo lugar todas as manhãs, e esse caminho nunca tinha me parecido assim, tão, tão… tão incomum.
Ver que pessoas idosas andando (lentamente, até porque eles realmente não tem pressa de nada, pelo menos não mais.), completamente concentradas naquela caminhada curta, pausada e que pode ser a última, alguns deles realemente estampam uma expressão estranha de realmente caminhar como se fosse a última vez, outros estampam e irradiam uma felicidade tão grande por estar ali, que parece que tiveram um momento perto do fim, e agora dão mais valor ás pequenas coisas, como uma caminhada matinal.
Tem as senhoras, não tão de idade, mães, tias, em seus quarenta e poucos, que caminham por caminhar, só pelo prazer de fofocar com alguma amiga ou vizinha intrometida, e usar o exercício como desculpa para o marido, a excitação de novidades, de fofocas plenas da outra vizinha que não está ali, dividindo o momento de intimidade. Engraçado é ver que os passos aumentam e diminuem de velocidade conforme o papo fica mais animado ou não, mais tenso, mais picante ou qualquer outro sentimento que as mantenham em um ritmo frenético, dia após dia.
E tem as solitárias, como eu, que caminham, correm, para fugir de seus demônios, correndo onde ninguém possa nos alcançar e onde os problemas e dúvidas diárias pareçam ficar mais longe, cada vez que o músculo da panturrilha puxa, que o ar entra nos pulmões sedentos por exigênio em ritmos alternados.
É, amanhã vou me concentrar nas dúvidas infindáveis da minha prima, afinal, todo dia tem as senhoras de idade, as fofoqueiras e as solitárias, uma manhã incomum, mas nem tanto.
o fato de olhar e não ver acontece e muito. também é difícil com a cabeça a mil.
corro quase todas as manhãs (na verdade cada vez menos, por isso o quase) e não faço isso pelo exercício em si, e sim, para limpar a mente.
consigo pensar em nada que não esteja ali pelos breves quilômetros que corro.
beijos, R.
R. » thernotes.wordpress.com
Agosto 6, 2008 em 8:34 pm