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Nostálgico
Tem um gosto todo especial respirar um ar diferente do teu, ver um céu com um colorido diferente do que tu vê todos os dias, quando acorda e abre a porta do quarto.
Talvez seja a promessa de novos horizontes, que podem se formar em ruas diferentes das tuas, em cada esquina que tu encontra pessoas completamente diferentes de ti e do que tu costuma encontrar quando vai na padaria comprar aquele pão das 16 horas.
A brisa que o trem faz no teu rosto quando ele está prestes a parar para te carregar para um novo destino, os quadros que passam rápido demais para tu sequer entender o que está acontecendo do outro lado do vidro, em cada bairro, ou zona da cidade que tu passa com a velocidade da luz.
É, meu fim de semana foi bom.
E eu ouvi Los Hermanos quase que o caminho todo, tem banda que não deveria “acabar”.
Keane – Everybody’s Changing
É uma boa música para “começar” o fim-de-semana, pelo menos na atual situação psico-emocional-serial killer-momentum em que eu me encontro. Considerando que amanhã eu ainda trabalho até as 21 horas, sexta-feira não deixa de ser o ponta-pé inicial das tão esperadas horas livres para se fazer o que quiser (leia-se “me matar de tédio na internet”)
Meu atual objetivo de vida é ter uma vida. Essa vida de Isaura/tédio não está me caindo muito bem. – nota pessoal – arranjar algum novo passatempo MENOS psicótico que os normais e passar mais tempo me dedicando ao mesmo.
Tenho uma mania MUITO ruim, um problema, um vício que eu preciso me livrar urgentemente. Toda vez que o tédio toma conta de mim, em uma tarde sem ter o que fazer, enquanto estou no balcão esperando por algum cliente para me tirar do tédio e me colocar na rotina de botões de retiradas, devoluções, pagamentos e descontos, eu acabo sempre fazendo com que acontecimentos convencionais, ou semi-acontecimentos, se tornarem eventos cinematográficos e, pior ainda, completamente dramáticos.
Mas isso cansa, cansa demais, pelo simples fato de tu sempre criar expectativas, esperar que coisas aconteçam como acontecem nos filmes, onde a qualquer momento tu precisa ter um ato heróico e se salvar da maior enrascada da sua vida, mas onde o caminho mais fácil, acaba sendo o único que tu não pensa no momento.
Quando o seu documentário acaba se tornando uma obra de Gerge Lucas ou do Spielberg (?) e nem você sabe diferenciar o que é verdade e ficção, aí sim você sabe que enlouqueceu, mas aí é tarde demais e tu percebe que é o roteirista, diretor, contra-regra e tudo mais que um filme tem direito, e se perde, em cenas, personagens que vão e vem, cada dia é uma nova cena, cada hora um take á ser editado e a trilha sonora é a mais variada possível, afinal, um filme sem trilha sonora, não é um filme descente. E tudo isso não é tão legal quanto parece.
No mais é isso. Vida cada vez menos atribulada (e pode ter certeza que eu reclamo disso), olheiras cada vez mais profundas e sistema imunológico definhando-se em uma velocidade assustadora. Ficarei bem, no final, eu acho.