Posts Tagueados ‘Fim’
Nostálgico
Tem um gosto todo especial respirar um ar diferente do teu, ver um céu com um colorido diferente do que tu vê todos os dias, quando acorda e abre a porta do quarto.
Talvez seja a promessa de novos horizontes, que podem se formar em ruas diferentes das tuas, em cada esquina que tu encontra pessoas completamente diferentes de ti e do que tu costuma encontrar quando vai na padaria comprar aquele pão das 16 horas.
A brisa que o trem faz no teu rosto quando ele está prestes a parar para te carregar para um novo destino, os quadros que passam rápido demais para tu sequer entender o que está acontecendo do outro lado do vidro, em cada bairro, ou zona da cidade que tu passa com a velocidade da luz.
É, meu fim de semana foi bom.
E eu ouvi Los Hermanos quase que o caminho todo, tem banda que não deveria “acabar”.
Coldplay – The Scientist
Acho de uma imensa irônia eu ser conselheira (e psicóloga) de várias pessoas, amigas ou não, eu sempre acabo sendo aquela que escuta toda a problemática e acaba elucidando as idéias para o caminho mais sensato e que pode vir á trazer um melhor resultado, sempre tenho respostas na ponta da língua para alguns momentos ácidos, mas quando o problema é comigo, a teoria e a prática acabam não sendo aplícaveis.
É uma chuva de meteoros me atingindo, parece o fim do mundo, o apocalípse de uma éra, e eu continuo parada, olhando os pequenos detritos cairem, em minha direção e toda a minha volta, destruindo tudo o que eu construí ou que estava prestes á colocar em prática, tijolo por tijolo, no chão, perdidos em meio a bagunça. Então olho ao meu redor e me deparo, surpresa, que os meteoros só atingem á mim. Todos já têm suas proteções, seus abrigos, seus mantimentos necessários para um tempo desesperador, sou a única na rua sem proteção e abrigo. Entre pequenos espaços de tempo em que a chuva cessa, me dá um ar de esperança para respirar e tentar entender o que está acontecendo, acabo andando sozinha em uma rua abandonada, chutando pedrinhas no escuro sem saber pra onde ir.
Parece aqueles filmes antigos que o final é óbvio, mas nem tanto, porque não sei qual vai ser o fim deste filme, acabo descobrindo que além de protagonista, sou diretora e redatora, de uma história que perdi o roteiro e acabo tendo que redigir o meu fim, mesmo ele não sendo assim tão agradável.
Enfim, só quero amanhã continue chovendo.
Bright Lights – Matchbox 20
Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia agente se encontra.
Mário Lago
Não acredito em frases prontas ou citações, conheço pessoas que passam horas na internet lendo e tentando reviver momentos de outras pessoas, mas por um motivo completamente desconhecido, hoje, eu fiquei com essa citação do Mário Lago o dia todo na cabeça. Ouvi uns tempos atrás quando a morte do Mário Lago foi anunciada á sete cantos do mundo, no dia nem prestei muita atenção, mas, parece que ela ficou guardada por algum motivo desconhecido.
Tenho uma mania, nem sempre boa, de mudar de assunto completamente durante uma conversa, sem aviso prévio para quem está em minha companhia, resultando assim em desentendimentos e risadas por tamanha falta de pés-no-chão, de sair desse mundo no meio de um assunto, por ver em pessoas o que não está estampado em sua face, sem sinal de PARE para que tu não se enganes, ou ainda, de sentir sensações inexplicáveis quando na presença de outras.
Uma coisa é tu veres uma pessoa e ficares feliz, triste, nervosa, ou até com raiva. Mas o problema – que tem sido cada vez mais comum comigo – é quando não sei o que sentir ao ver algumas pessoas. Olho para mim e vejo uma centena de pontos de interrogação orbitando meus pensamentos. Não que essas pessoas não imprimam reação nenhuma em mim, longe disso. É que são espíritos tão intensos, belos e cheios de detalhes fascinantes que a única sensação que tenho é a de estar sendo bombardeada a todo instante, sendo atingida por todo tipo de projétil, em cada centimetro do meu corpo, em cada vez que essa pessoa dirige a palavra a mim. E nessa confusão surge uma enorme vontade de sentir aqulo de novo, de tentar ver quanto tempo eu consigo ficar ali, e de ser bombardeado de novo, até que todos esses destroços formem uma figura que eu possa compreender, e dar a ela um nome. E eu sou péssima para nomear as coisas. A previsibilidade torna-se um fator desencadeador de tédio e nenhuma das pessoas legais, chatas, ou mais-ou-menos te despertam interesse. Tudo que queres é rever aquela que te diz muita coisa só com um movimento de olhos e tu não consegues assimilar nem dez por centro de tanta informação. Queres andar todos os quarteirões do mundo com os olhos fitando o chão, descobrindo desenhos no cimento e nas pedras, com as mãos tateando o fundo da bolsa e sorrir a cada passo que essa pessoa possa vir a dar ao seu lado, sempre desviando inconscientemente da parte preta ou branca da calçada.
Ando pensando assim, em círculos, com respostas dentro de perguntas. Mas nenhuma pergunta é grande o suficiente para comportar a resposta que procuro.
Sofro de falência multipla de minhas funcões vitais. Boa noite. E boa sorte para nós.
